Fazer Arquitetura

Como meu primeiro post gostaria de falar um pouco sobre este fazer que me ocupa há tantos anos: Arquitetura.

A nossa casa é o nosso lar. É para onde queremos voltar, para onde queremos nos esconder. É o nosso porto seguro. Lá estamos imunes e protegidos. Gostamos de ficar em cada fazendo algo ou simplesmente fazendo nada.

Passamos grande parte de nossas vidas dentro da nossa casa. Em média passamos 90%* do tempo de nossas vidas em ambientes fechados. Uma vez que o dia tem 24 horas, passamos 21,6 horas do dia em ambientes fechados. Se descontarmos as oito horas de sono e mais as oito horas de trabalho em média, concluímos que passamos dentro da nossa casa diariamente cerca de 5,6 hora/dia, ou 26 % do nosso tempo de vida. Assim, se temos uma expectativa de vida de 80 anos, esse tempo dedicado ao estar em casa representa no total 21 anos de nossa vida inteira. Assim a nossa casa tem que ser especial.

A nossa casa tem que ter a nossa cara. Tem que ser acolhedora, confortável, funcional e prática. A nossa casa tem que nos representar e nos acolher.

Claro que a estrutura que esse lar representa é muito importante. Pode ser uma casa em um condomínio arborizado, ou uma cobertura com uma vista sensacional, ou uma casinha germinada em uma vila. Enfim são inúmeras as faces externas do local onde nos escondemos e que escolhemos. Quase sempre tem a ver com nosso estilo de vida, poder aquisitivo ou mesmo representa o nosso conceito de viver.

Mas, e do lado de dentro? Na parte interna é onde nós nos expressamos melhor, onde abrimos o nosso menu secreto de características pessoais. Podemos ser organizados, práticos, bagunçados, ou caóticos. Podemos gostar de cores fortes, elementos da natureza, de brilho, de luz, enfim muitas matizes da nossa personalidade.

Gostamos de curtir os espaços e os visuais que nosso lar emana quando estamos relaxando ou mesmo quando estamos parados, refletindo.

A nossa casa tem que ter a nossa cara, tem que ser nosso estado interno bruto colocado para fora e recriado em forma de espaço, de revestimentos, acabamentos, complementos, decoração, mobiliários e objetos.

Para isso existem os arquitetos, para nos guiarem neste universo de escolhas e de opções. Para nos ajudar a entendermos o que desejamos e o que realmente tem a ver com nosso estilo, necessidade e com o nosso espaço.

Se não está feliz, não se sente conectado ou abraçado pelo seu lar, então você precisa de um arquiteto.

Ou você está mudando de casa ou de apartamento? Está comprando um novo lar? Qualquer movimento relativo ao morar? Então você também precisa de um arquiteto.

O olhar do arquiteto é treinado a ler o seu interlocutor e matematicamente resolver a equação do querer, poder, conceito e orçamento.

O arquiteto é seu amigo, ele é aquele que entende melhor a sua necessidade de mudar, de melhorar, de finalizar e de ser feliz dentro da metragem escolhida para viver.

O ato de projetar é único, especial e imprescindível para um morar melhor e mais eficiente.

São inúmeras as profissões que existem em função de um problema: dor de dente (dentista), doença (médico), processo (advogado), traumas (psicólogo), e por aí vai. A do arquiteto nasce de um sonho, de algo que vai impactar positivamente na vida de alguém. Isso falando subjetivamente, objetivamente o trabalho do arquiteto valoriza o imóvel. E quase sempre, se não recupera todo o investimento, quando se trata de uma reforma ou requalificação, um bom projeto viabiliza uma venda muito mais rápida e facilitada.

Assim como dizia um slogan antigo do Instituto dos Arquitetos do Brasil- IAB:

Faça certo contrate um arquiteto.

Ou como em uma campanha do Ministério da Habitação da França nos anos 90:

Osez l’architecture avec l’architecte, bien sur…

Nos próximos posts, falarei de dicas sobre contrato, desejos, limites e atribuições do arquiteto.

* (Segundo o estudo de 2018: “National Human Activity Pattern Survey”, realizado pela Berkeley Lab Energy)

Retrofit no Novo Código de Obras de São Paulo

O novo Código de Obras e Edificações (COE) de São Paulo entrou em vigor desde julho de 2017 (Lei nº 16.642, de 9 de maio de 2017Decreto nº 57.776, de 7 de julho de 2017).
Tanto seu texto como sua versão ilustrada veio para simplificar, sob um novo modelo, em consonância com as diretrizes do Plano Diretor Estratégico e da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo. O intuito foi corrigir distorções e deixar os procedimentos e o processo de licenciamento mais simples, tanto para o cidadão, quanto para os técnicos, além de contribuir para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Vide (https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wpcontent/uploads/2018/04/codigo_de_obras_ilustrado.pdf)
Dentro do âmbito dos trâmites de avaliação e aprovação destaco três observações importantes:
1. A rapidez no processo pois a nova lei estabelece prazos para a emissão de alvarás, sendo eles: até 90 dias para o Alvará de Aprovação e até 30 dias para Alvará de Execução.
2. O tempo de aprovação foi encurtado, pois as instâncias administrativas para a apreciação e decisão dos pedidos de que trata este Código, foram simplificadas.
3. A clara divisão de tarefas e responsabilidades, pois o arquiteto terá a responsabilidade legal de elaborar o projeto em conformidade com a legislação e com as normas técnicas vigentes. Já o responsável técnico pela obra deverá realizar a construção de acordo com o projeto. O proprietário, por sua vez, será responsável pelo correto atendimento das disposições do COE e legislação correlata e pela veracidade das informações apresentadas.
Mas no que tange diretamente o Retrofit, destaco duas novidades muito importantes:
1. Dentro do item Requalificação de Edificações, o novo código apresenta o conceito de “adaptação razoável”, aceitando soluções que não atendam necessariamente a legislação vigente, para modernização de edificações existentes, construídas antes de 1992. Como por exemplo a possibilidade de aprovação mesmo que o projeto não consiga atender a todas as condições de Acessibilidade, que era um impacto grande anteriormente, mediante uma declaração através do Modelo de declaração de impraticabilidade técnica de atendimento às condições de acessibilidade. O modelo consta no COE.
2. E também no item de Requalificação de Edificação Existente é admitida a ampliação da área construída para suprir às necessidades de adequação e modernização das instalações da edificação. É considerado não computável o aumento de área destinado à adaptação razoável à acessibilidade e à melhoria das condições de segurança de uso, higiene e salubridade da edificação existente, não sendo considerado para efeito de cálculo do coeficiente de aproveitamento e da taxa de ocupação previstos na LPUOS (Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo).